Nas águas as memórias poéticas são carregadas pelos barcos. O território é limítrofe de dois países: Brasil - Bolívia. Uma mistura de tradições, línguas, costumes, culturas e um vai-e-vem de gente sobre as águas.
As memórias poéticas nos trilhos e no fim da estrada
A lendária Estrada de Ferro Madeira Mamoré chega ao seu fim. Fim da estrada, fim do seu ciclo e fim de sua história. A maior obra construída no meio da floresta, ligando o Rio Madeira ao Mamoré, no pleno ciclo da borracha... virou peças de contemplação e cenário de memórias de homens e mulheres... Uma estrada que não leva a lugar nenhum. Triste fim.
Memórias Poéticas simplesmente água.
As memórias poéticas faz uma imersão nas águas de rios da Amazônia... Navegar é preciso. Assim segue nossa pesquisa e nossa missão. Águas de todas as camadas, de cores e de densidade. Sobreviventes do crescimento das árvores.
Memórias Poéticas... crescimentos das árvores
Tava indo cortar. Ainda escuro, cedo. Vi o Homi. “Égua, que o
Coronel tá fazendo aqui essa hora?”. Deve de ter acontecido algo. Fui
cumprimentar; a onça saltou nele. Esturrou. Enorme, pesada, o pelo brilhante.
Ele mais que rápido pegou o terçado e meteu nela. Ela escapou. Saltou de novo.
Ele por baixo, quase sem força, enfiou a lâmina nas costela da bicha. Puxou.
Meteu de novo. Ela caiu. Sangue esguichando. As tripa pra fora. Olhei: “o
Coronel salvou minha vida”; tivesse sozinho, a onça ia é me atacar. Quando vou
agradecer, uma cobra grande, grande mesmo, agarra no pé do Homi. Travei todo.
“Que é que tá acontecendo aqui?”. A bicha se enrolando, querendo quebrar o osso
do patrão. Uma luta. Não vi como; ele deu com o terçado na cabeça. Abriu no
meio. Ficou em dois pedaços. A cobra soltou. Ele sorriu pra mim e eu: “agora o
Coronel me salvou mesmo”. Tava clareando o dia. O Coronel satisfeito. Só vi uma
flecha voando no peito dele. A flecha varou. Caiu morto na hora. Sorrindo. Saí
foi correndo. Mas, antes de cair morto ele disse; “Você não vá a canto
nenhum. Fique aqui para me ajudar”. Depois soube que o Coronel tava vivo em
casa. Eu vi cair mortinho. Como depois tava vivo? Era sinal. Morreu ficando
vivo e antes matou a onça e a cobra. “Você não vá a canto nenhum. Fique aqui
para me ajudar”.
Trecho do Texto: A Borracheira, de Daniel Graziane
Nessa
casa tem quatro cantos, em cada canto uma flor. Dentro dela não entre ódio.
Dentro dela só venha amor. Eu trabalho; eu afasto. Eu afasto toda a dor. Eu
rego. Eu molho. Eu vou regando. Trabalho no meu regador. Vou trabalhando no
canto. Vou florescendo amor.
Nesse
mundo tem quatro cantos, em cada canto um caminho. É preciso comunhão para não
viver sozinho. Quem planta flor vai colher flor, mas ai de quem plantar
espinho. Pra saber o fim da estrada, nem precisa ser adivinho.
Na casa de quatro cantos, cada canto guarda um segredo. Não ficará
adormecido aquele que desperta cedo. Com o sol que vem nascendo, luz dissipa
todo medo. E o sustento dessa terra vem em fartura do arvoredo.
Nossa pesquisa segue firme por esses quatros cantos. Essa moça ai, logo abaixo é a Amanda, que está pesquisa a cena no O Imaginário.
Memórias Poéticas Nossa Senhora do Seringueiro
Oração
de Nossa Senhora do Seringueiro
O´ Virgem, Senhora do Rosário do Seringueiro,
Consoladoras dos aflitos, e Protetora das almas
Desamparadas, das profundezas da mata sombria
Em que mourejamos, sujeitos as maiores privações
E cercadas de todos os perigos, à vossa proteção
recorremos
Imploramos, confiantes,
a vossa intercessão maternal
Junto ao Vosso Divino Filho, para que,
Depois de ter suavizado as agruras desse nosso desterro
Pela esperança de um mundo melhor, se digne
Conduzi-nos firmemente pelo caminho da salvação
E acolhe-nos, um dia, na Casa do Pai Celestial, onde
Ele vive e reina, na unidade do Espírito Santo.
Amém.
Nossa Senhora do Seringueiro, rogai, por nós, Dom Rei.
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